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O mundo cor-de-rosa da Barbie faz 50 anos

 

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Fonte: Gazeta Mercantil / Investnews

24 de Março de 2009

São Paulo, 24 de Março de 2009 - Se ela fosse uma mulher de verdade, dirigiria os carros mais caros, viveria em mansões luxuosas e

teria um guarda-roupa incrível com peças das maisons Versace, Christian Dior, Armani e Prada. Ícone de beleza e moda, ela

atravessou gerações, acompanhou a evolução da mulher na sociedade e hoje, em seu mundo cor-de-rosa, Barbie faz 50 anos.

Inconfundível por ser esbelta, ter olhos azuis e cabelos loiros, ao longo de sua história a Barbie tem representado o estereótipo do

corpo perfeito e personalidades que marcaram essas cinco décadas. Atrizes, cantoras, personagens de cinema e até rainhas já foram

Barbies, com um objetivo: levar as meninas ao universo da fantasia.

Pela primeira vez, desde 1959 (ano de seu nascimento), 539 bonecas saíram de suas caixas de plástico para serem homenageadas na

exposição o "Museu Encantado Barbie" - em cartaz até 31 de julho no Shopping Cidade Jardim -, e que fazem parte do acervo do

colecionador Carlos Keffer.

Apaixonado por clássicos do cinema, Keffer iniciou a coleção em 1996 com a boneca "My Fair Lady" uma homenagem à atuação de

Audrey Hepburn no filme. "Eu encontrei na Barbie uma forma de eternizar as estrelas do cinema ", diz.

Keffer deixou de lado sua formação em psicologia para dedicar-se a uma paixão que também teve início em seu consultório. "Durante

minha atuação como psicólogo infantil, para estimular a imaginação das crianças eu usava uma caixa cheia de bonecas. A partir desta

técnica, percebi que todas as pessoas possuem suas caixas com personagens imaginários onde podem criar e fantasiar A Barbie é um

exemplo disso, já que por meio de uma boneca, a menina pode sonhar e ser o que quiser", afirma o colecionador.

O lúdico e o simbolismo representam o compromisso da Barbie, a primeira "fashion doll" - boneca classificada como uma mulher adulta

-, no mercado. “Antes, as bonecas eram apenas bebês e incentivavam o lado materno de uma criança”. A Barbie trouxe a possibilidade

de sonhar com o futuro. “Pensar em uma carreira, entender as mudanças culturais e diferentes nacionalidades”, comenta Isabel Patrão,

gerente de marketing da Mattel, a fabricante da Barbie.

Ao refletir a história, a moda e as vontades de cada época, as 539 Barbies da exposição reproduzem as mudanças da sociedade em

29 centímetros de altura, cada uma delas. O "apogeu da beleza", segundo diz Keffer, ao longo de seus 50 anos, incorporou traços de

personalidades, sendo retratos perfeitos de filmes, seriados e tendências. A Barbie Número 1, por exemplo, foi inspirada no corpo da

atriz francesa Brigitte Bardot e originou-se do modelo de beleza da época: rosto pálido, maquiagem expressiva, sobrancelha grossa e

rabo de cavalo.

Espelhada na mulher "de verdade" a roupa, o cabelo e até o próprio corpo da boneca viajam no tempo das tendências. Saias rodadas

nos anos 60, looks de praia a partir de 1971 e cabelos super longos em 1992 são características que marcaram épocas e Barbies. "A

Barbie 'cabelos super longos' (1992) vendeu cerca de 10 milhões de exemplares, o recorde de vendas na história da boneca. Para a

Mattel, o segredo do sucesso vem da pesquisa. Acompanhamos o que acontece no mundo e, a partir disso, criamos novas bonecas",

diz Isabel.

Lançando de 200 a 300 modelos diferentes por ano, sendo que 98% do portfólio Barbie ganha apenas características novas, cada

boneca demora um ano para ser finalizada e encontrada nas lojas. Com duas finalidades - para coleção e venda - a boneca não dita

tendências da moda, apenas as reflete de acordo com a cultura dos 140 países em que é vendida. "Eu acredito que a Barbie é um

registro lúdico da história da moda. E é democrática, pois respeita as diferentes nacionalidades. A Barbie japonesa, por exemplo,

segue a cultura do país ao ter olhos puxados e não mostrar os dentes", afirma Keffer.

Viagem na história

Impossível não se lembrar de Audrey Hepburn em "Bonequinha de Luxo", de Julie Andrews em "Mary Poppins" e Barbara Eden, em

"Jeannie é um Gênio".

Para comemorar o aniversário, na sala "50 faces", um bolo de três metros de altura exibe a evolução da boneca (rosto, corpo e estilo) e

da moda de 1959 até os dias de hoje. A primeira Barbie negra (1980), a atriz Angelina Jolie, um grupo de bonecas simbolizando as

Spice Girls e a boneca Número 1 são alguns dos destaques da primeira etapa do "Museu Encantado Barbie". "A primeira Barbie,

avaliada em US$ 12 mil, foi uma conquista recente. Eu a comprei há apenas seis meses de uma americana", diz Keffer.

Em referência à alta costura francesa até a década de 70, como Chanel e Chistian Dior, o espaço nomeado de "Vintage" traz ao lado

de looks antigos e editoras de moda, a primeira casa da Barbie feita em madeira e papelão. Caminhando pela passarela da história, a

sala "Fashion" traduz as últimas tendências de comportamento e moda, desde a Grécia antiga. A boneca de Maria Antonieta - avaliada

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em US$ 1600 pelo eBay - Rainha Elizabeth, e outras com vestidos de Versace, Alexandre Herchcovitch, Givenchy e Rosa Chá são

réplicas perfeitas dos looks que marcaram desfiles e época. Já o luxo e o glamour da Barbie Noiva são festejados em uma única sala

com bonecas de rosto de porcelana.

Grandes estrelas do cinema e dos seriados de televisão - a babá voadora Mary Poppins, a cantora Cher, a personagem de desenho

animado Wilma Flintstone, a Família Addams, e as cantoras Carmem Miranda e Sandy (do filme Grease) - são homenageados na sala

"Astros & Estrelas". "Os filmes que marcaram os personagens são passados em uma televisão. Dessa forma, os visitantes podem

relembrar os clássicos e reconhecê-los na própria exposição", comenta o colecionador.

Mesmo uma boneca, a Barbie tem grupo de amigos, irmãos e um namorado (Ken). A sala "Cenas da Vida" expõem aos visitantes os

personagens de seu mundo imaginário. "Uma das coisas que me fascina é que ao mesmo tempo que a Barbie é um brinquedo, ela tem

uma vida própria", afirma Keffer.

Na sétima sala da exposição - "Planetário" - o ícone de beleza e moda agrega à sua imagem e status uma preocupação com a

diversidade cultural. Cerca de 70 países são representados em Barbies, seja na roupa, cabelo ou acessório, democratizando as

riquezas étnicas a um dos brinquedos mais desejados. "Com a Barbie, a criança pode desejar e 'desenhar' o que quiser. Moda,

profissões e questões sociais são alguns dos aspectos que enriquecem a diversão", diz Isabel.

(Gazeta Mercantil/Caderno D - Pág. 4)(Marianna Pedrozo)

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