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Primeiro vamos falar um pouco de ética, respeito, estudo,
hierarquia, dignidade e principalmente cultura. Esta conversa não tem o intuito de desfazer de comerciantes de cartões, pois afinal sou também uma comerciante. A conversa tem por objetivo esclarecer o que fatos que acontecem hoje com a telecartofilia, e que pessoas da minha faixa etária viram acontecer nos anos 70, 80 e 90 com as revistas antigas, cartões postais e outros itens de colecionismo. Tenho freqüentado vários encontros para além de comercializar cartões, fazer uma pesquisa de campo sobre o momento em que vive a telecartofilia hoje. Isto porque tem me incomodado a quantidade de cartas, e-mails e telefonemas falando mal cada vez mais deste comércio. Vocês devem estar agora, tentando entender as palavras com que iniciei o texto como: ética, respeito etc. Vamos começar de um ponto crucial: por uma questão lógica, uma "leva" de rapazes e moças, na faixa de 20 a 28 anos, entraram para a telecartofilia, como se estivessem “pegando o bonde mais do que andando, pegaram voando”. Fico estarrecida, quando vejo estes jovens que trabalham com cartões telefônicos, não conhecerem ou pelo menos respeitarem nomes como: Falcom, Paulo Monte Serra, Sr. Zeca, Nelson Bardini, Ramadam, Pedroso, Paulo Bodmer, Elisio Belchior, Renata Lima e outros que por questão de espaço não menciono aqui mas estão todos respeitosamente homenageados na página do "Quem Somos" do site IPC. Basta ter um pouquinho de lógica matemática e considerando ainda as idades, para constatar que já escreviam textos, colecionavam, vendiam, trocavam cartões nacionais e internacionais quando estes jovens ainda não tinham nascido ou eram bebês. Eu, por exemplo, conforme figura acima em 1992, escrevi um livro sobre o colecionismo das revistas no Brasil, em 1991e também comercializava cartões internacionais trocados através de cartas e fax porque não era moda a Internet. Mesmo assim, poucos anos depois coloquei no ar em 1996 o primeiro site ligado a colecionismo como pode ser constatado neste endereço http://www.brasilcult.pro.br/loja/lembran.htm que é hoje parte do site www.brasilcult.pro.br . Tive durante 10 anos a primeira e única loja de collectibles do Brasil no Shopping da Siqueira Campos, no Rio de Janeiro. Promovi o Primeiro Leilão de Collectibles no Shopping Rio Designer do Rio de Janeiro, etc... Mas, o que me leva a escrever isto? Esta deve estar sendo a pergunta dos leitores. Voltando aos e-mails e cartas que chegam repudiando os vendedores de cartões telefônicos, peço aos telecartofilistas, que saibam diferenciar o “joio do trigo” e procurem pessoas éticas, sérias e principalmente que saibam o que estão fazendo. Como comerciante só tenho prazer com meus clientes, mas como colecionadora me coloco aqui na mesma situação dos colaboradores que me escrevem. Sei bem do que vocês estão falando. Eu mesma, que tenho 46 anos, sendo praticamente 36 anos dedicados a pesquisa do colecionismo no Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e outros países da América do Sul passo por situações que dariam um livro de piada ou de desrespeito, não sei ainda definir. A grande polêmica em questão são os preços dos cartões ao serem vendidos, isto acontece hoje com o cartão telefônico, mas já aconteceu com o cartão postal, revistas antigas, rótulos e centenas de outros itens, que por sinal, fundei em 1990 uma associação de preservação chamada APAG – Associação de Preservação de Antiguidades Gráficas, termo este “Antiguidades Gráficas" criado por mim para definir o colecionismo de objetos efêmeros e que já está encaminhado na Academia Brasileira de Letras para ser reconhecido em nosso vocabulário. Mesmo com está bagagem tenho enfrentado situações hilárias para não dizer ridículas com jovens de 20 a 28 anos, que se auto intitulam comerciantes experts (espertos) na telecartofilia e não sabem ao menos o que significa a palavra mídia, sabem por que digo isto? Sinto uma grande tristeza ao ouvir: ”a senhora tem cartão de mídia? Eu só quero mídia porque mídia é mídia etc.“ Pasmem! Sabem o que é mídia para estes jovens? Cartões de baixa tiragem e assim por diante. Ou seja, nem passa pela cabeça deles que um cartão como da Nestlé, com tiragem de 500.000 também é mídia. Bem, como o IPC tem por objetivo construir e dar a todos o mesmo espaço, tenho uma recomendação aos comerciantes e aos colecionadores. Aos comerciantes, principalmente os jovens que pegaram o "bonde voando", procurem aprender mais e não achar que podem ensinar algo sobre telecartofilia. Agora, especificamente aos comerciantes masculinhos (me apossando de termos da psicologia), parem de ficar disputando o famoso “o meu é maior que o seu”, pois tenho visto nos encontros, estes jovens comerciantes auto intitulados experts da telecartofilia, disputarem entre si quem tem o cartão mais caro. Enquanto isto o colecionador assiste de camarote e vai inevitavelmente buscar pessoas idôneas e respeitáveis. Quanto aos colecionadores, procurem ver preços com diferentes comerciantes e principalmente nos diversos Estados, podendo assim continuar a serem os verdadeiros telecartofilistas, sem precisar contribuir com esta verdadeira loucura, que se tornou, os preços de cartões telefônicos. Mais uma vez me debato com uma questão que venho literalmente lutando: para que urgentemente seja difundida no Brasil, a verdadeira cultura do colecionismo, onde um dos itens a ser tratado, é o bom senso que permita uma parceria entre colecionadores e comerciantes. Do contrátio, mais uma vez verei a total destruição de um colecionismo, como já vi da cartofilia (cartão postal) e outros itens que citei acima. Quanto a outros e-mails que recebo, perguntando por que as companhias telefônicas emitem uma série de cartões, por exemplo: com 10 cartões, sendo 9 com tiragem de 300.000 e um com tiragem de 25.000? Isto eu não sei responder, mas me reporta ao tempo da figurinha difícil, com a única diferença de que estas figurinhas premiavam os colecionadores enquanto a baixa tiragem atual dos cartões telefônicos, serve apenas para desestimular o colecionismo e criar esta tão reclamada forma de trabalho dos comerciantes. Vejo também colegas comerciantes "murmurando pelos cantos" que os telecartofilistas estão acabando. Não é bem assim, são eles, comerciantes usurpadores e sem ética, que estão acabando com os telecartofilistas. Sem qualquer dúvida ou falsa modéstia, até mesmo para me resguardar desta bagunça que se tornou o comércio telecartofílico, me coloco no holl dos comerciantes que trabalham de forma correta, com preços reais e com a intenção de ter o cliente para sempre e não “me dar bem em uma venda”, alias, termo este que já não agüento mais ouvir nos encontros de telecartofilia. Mas por favor, peço aos telecartofilistas para que não desistam. Procurem, pesquisem porque existem ainda centenas de comerciantes que realmente são Comerciantes da Telecartofilia e que preservam seus nomes e dignidade acima de tudo, mantém assim um respeito hierárquico a diversos nomes, que represento com um único nome todos eles, o do inventor do instrumento de trabalho destes mesmos comerciantes, (que é o cartão telefônico), o Engenheiro Nelson Bardini, que vem sendo sumariamente desrespeitado por esta nova geração de pretensos experts (espertos) da Telecartofilia. Texto Renata Lima
Esta é outra questão muito abordada por nossos internautas. Existe sim, mas não é esta loucura que estão fazendo. Um cartão na realidade pode ser raro por diferentes aspectos: interesse do colecionador, tema para o colecionador temático, baixa tiragem, o grande número de colecionadores, que chega a quase 6 milhões somente no Brasil incluindo os ajuntadores de cartão, existindo ainda o colecionismo sazonal, que torna determinados cartões raros em uma época e não em outras. Quanto aos cartões internacionais que são comercialializados por mim desde 1990, como podem constatar neste catálogo que editei na Internet no ano de 1991 http://www.brasilcult.pro.br/loja/HTML/catalogoP.htm hoje já estão aparecendo nos encontros, depois de serem introduzidos pelos primeiros comerciantes que foram: Alan, Zeca, Renata Lima e agora quase todos os comerciantes de cartões nacionais também estão trabalhando com os internacionais. Para mim, raros, também são todos os cartões que contam um pouco da história da telecartofilia tanto nacional como internacional ou seja os primeiros cartões.
foto tirada do banco de imagens do Google A palavra colecionismo está
correta? Você já pensou neste
assunto? Colecionismo não é uma palavra
correta mas por estar amplamente aceita deve fazer parte do nosso vocabulário
muito em breve! De acordo com a gramática portuguesa, o termo correto seria:
COLECIONAMENTO. Mas esta palavra não é usada pelos
colecionadores. Na realidade o colecionismo no Brasil difundido desta forma é um conceito recente se compararmos com os EUA e Europa. Talvez por esta razão ainda não esteja definida uma nomenclatura de acordo com a nossa cultura e nossa língua.
O uso da palavra Colecionismo
surgiu publicamente em um informe da APAG- Associação Para Preservação de
Antiguidades Gráficas em 1992 no mesmo ano em que a TELEBRAS lançava o Cartão de
Telefone na Eco 92 no Rio de Janeiro, na palestra de lançamento o diretor da
Antiga TELERJ usou o termo Colecionamento e logo a seguir fez uma brincadeira
com a palavra que considerava feia e pediu licença para usar COLECIONISMO termo
que já estava sendo usado pelos
colecionadores. Daí em diante a palavra foi
aceita e existe um grupo de pesquisadores lutando para que COLECIONISMO faça
parte do vocabulário brasileiro e seja incluído no nosso
dicionário. Em entrevista com o querido
Plínio Doyle homem de grande visão no potencial do colecionismo como divulgador
de tradições, foi questionado por Renata Lima sobre a possibilidade de um abaixo assinado para ser encaminhado a Academia Brasileira de
Letras para a inclusão destes dois termos em nosso vocabulário: Antiguidades
Gráficas e Colecionismo Fica aqui o pedido para os novos nomes do Colecionismo
que continuem em seus estudos pesquisas e sites a luta por uma nomenclatura
brasileira e adequada a cultura do nosso
colecionismo ANTIGUIDADES GRÁFICAS
Este termo surgiu na linguagem brasileira recentemente introduzida por um grupo de estudiosos, colecionadores e comerciantes fundadores da APAG Associação para Preservação de Antiguidades Gráficas no Rio de Janeiro em 1992 através de uma pesquisa de: Renata Lima A
necessidade desta palavra ficou comprovada pela constatação da falta de
nomenclaturas para o multi colecionismo no Brasil. Vamos nos reportar ao termo
Colecionismo que surgiu em face da necessidade de sua utilização e da aceitação
automática de uma forma popular
desta expressão não só pela linguagem escrita como
falada. Conceito de Coleção e
conseqüentemente Colecionismo é um fator pessoal, regional e principalmente
cultural no amplo sentido de segmento de tradição e costumes devendo portanto
fazer uso de um vocabulário peculiar a língua e a cultura de cada dos
colecionadores e demais segmentos. Foi
com a evolução de estudos científicos das coleções que surgiu a necessidade de
um vocabulário novo onde pudéssemos contar com termos específicos ao
colecionismo da nossa cultura, mais determinante ainda por ser o colecionismo no Brasil
tratado de forma suigenere e sendo assim temos as vezes a necessidade de além de
criarmos termos como Antiguidades Gráficas, fazermos uso de termos incorretos
como Colecionismo, que se impôs naturalmente sobre o termo correto
Colecionamento. ANTIGUIDADE GRÁFICA ou seu
plural ANTIGUIDADES GRÁFICAS significa uma ou mais de uma forma de escrita ou
imagem superposta por diferentes técnicas em qualquer superfície seja escrito ou
gravada, Anterior ao ano de 1960. Alguns colecionadores
adotam a palavra Antiguidade Gráfica para definir qualquer collectbles anterior
ou posterior a 1960 é o caso por exemplo de itens de Memorabilia de Beatles,
Elis Regina, Álbuns de Figurinhas etc. ANTIGUIDADE: Do Latin antiquitate,
qualidade do antigo ou objeto de valor histórico ou
comercial. GRÁFICA: Feminino substantivo do adjetivo gráfico respeitante a grafia que vem a ser técnica de uso da linguagem como comunicação escrita ou desenhada.
PODEMOS CONCLUIR ASSIM QUE ANTIGUIDADE GRÁFICA É O TERMO QUE PODE SER ADEQUADO PARA DEFINIR O MULTI COLECIONISMO EM GERAL E PRINCIPALMENTE ITENS DE COLEÇÃO COMO: CARTÃO POSTA, CARTÃO DE TELEFONE, FOTOS, POSTERS, AUTÓGRAFOS, ÁLBUNS DE FIGURINHAS, CROMOS, SELOS, GRAVURAS, EMBALAGENS, MOEDAS, CÉDULAS, LIVROS, LATAS enfim é um termo perfeito para o Collectbles americano ou o colecionismo de itens Efêmeros como é chamado este colecionismo na França, Inglaterra e em alguns estados americanos.
"Antiguidades Gráficas"
No Brasil, por falta de um termo
específico para o "colecionismo" de papéis impressos antigos, criamos o termo
"antiguidades gráficas". Ephemera
& Memorabilia In Brazil,
due to the lack of a specific term to the collectible of antique printed
material, we created the tag "antiguidades gráficas", graphic antiques. texto de Renata Lima Carros Antigos
O colecionismo de carrros antigos remota ao século passado praticamente o carro quando foi lançado já era objeto de fascinio e automático colecionismo. Carros
antigos máquinas maravilhosas. Cada lançamento de um carro novo, vinha cercado de mistério e principalmente de supertição quanto ao nome, como uma marca de identificação com o usuário precedia também de algo sobrenatural em seu conteúdo. O nome é
na realidade a personalidade do carro, mas para os primeiros fabricantes que
tratavam este lançamento como algo pessoal, esta identificação tinha antes de
tudo que invocar algo ligado a sorte e a fator pessoal de seus fabricantes e com
o modelo apresentado. Buscando
a perfeição nesta grandiosidade de escolha que era o nome vinha à parte da
aceitação que era puramente um caso de sorte, neste momento conceitos atuais de
Marketing de venda ainda não existiam, as propagandas eram feitas em forma de
textos apelativos e figuras dramáticas. Estes fabricantes buscavam através do nome do carro uma identificação intima e apelativa de venda direta, e esta aceitação apenas um golpe bom da sorte.
Mercedes
por exemplo, era o nome da filha adolescente do projetista do carro, Rolls Royce
era a sociedade entre Mr. Rolls e Mr. Royce, Ford como todos sabem é de Henry
Ford, Lincoln do presidente Abrahan Lincon e assim por diante os nomes iam sendo
escolhidos. Dando segmento a este habito da época um fabricante alemão que tinha desenvolvido um projeto de um carro simples perante aos Mercedes, e Rolls Royce que se apresentava se vê em uma situação bastante difícil, estava definido que estes carros já existentes pertenciam a um consumidor de grande poder aquisitivo, porque estas marcas já nasceram caras. Surge então o carro do povo que também se incluía nesta questão tão difícil que era o nome, paralelo a isto este momento invocava no Brasil um nacionalismo por parte das classes populares que viam com olhos críticos as invenções estrangeiras, e uma grande divisão de classes através da ostentação de bens de consumo, e este carrinho que estava para surgir tinha que ter: um nome que desse sorte, com as características alemãs e agradar ao nacionalismo das classes populares no Brasil. Assim surgiu o Wolkswagem que literalmente significa o carro do povo e assim foi, hoje ele tem vários nomes, fusca o Zé do Caixão como era chamado o fusca quatro portas, os apelidos também cercam os lançamentos.
Ford bigode quem não ouviu falar? As jardineiras? E Marta Rocha seria somente uma mis? Belo Antonio era o Sinca Chambord e assim até hoje grandes empresas de marketing buscam através dos nomes atingir o publico a diferença é que hoje confiam em pesquisas e no início do século confiavam na sorte e em Deus. Quanto aos e-mails sobre propagandas antigas, revistas antigas, anos 20 etc. aproveitamos o livro escrito por Renata Lima em 1992 "A Magia da Revista no Brasil - 1800 1945" por estar esgotado estamos a cada edição desta revista lançando o livro por capítulos com as respectivas fotos.
copryrigt 1992 by Renata Lima Projeto gráfico do livro Sergio Caetano de Moura Revisão do Livro: Carmem Navarro Rivas Ex libris lançado desenho de Fernando Vasconcelos
Os textos de época foram reproduzidos com grafia original. Os anúncios publicados neste livro são material de pesquisa histórica sobre a propaganda nas revistas antigas, não se constituindo em publicidade paga. Agradecimentos Queremos também registrar nosso agradecimento a todos aqueles que nos ajudaram na realização deste trabalho. Deles ou recebemos a experiência profissional e sua grata participação cada um em sua área de atuação, ou outras vezes o estímulo de uma palavra amiga e confiante, mas sempre com substanciais contribuições. São eles: Nancy Assemany, Yolanda Roberto, Marta Seabra Fagundes, Maria Candida Dummond, Mabel Imbassahy, Jeorgina Gentil Rodrigues, Yvete Maria Silva, Ciro Vilanova Benigno, sem a ajuda dos quais não seria possível a elaboração deste trabalho. os Autores Prefácio Nunca havia deparado tão rica concentração de informes sobre a vida culutural brasileira fixada em publicações da imprensa periódica. Foi tudo levantado a partir das "folhas volantes" do século XV, as quais se iniciam "falando em religião", para logo serem "atraidas por assuntos melhor: a Política". Focaliza-se o aparecimento, na Espanha, por volta de 1790, de uma publicação em que se comenta os mais variados assuntos. É a primeirarevista: Espírito de los Mejores diarios literarios que publica em Europa. Registra-se a introdução da fotografia, como ilustração, produzindo o "apelo comercial. Em suma, era a "revista", que rapidamente assumiria a liderança informativa. A Revolução em Portugal (1820), animando aqui a Esquerdarevolucionária, empenhada na nossa separação, determinaria o surgimento, no Rio de Janeiro, de variadas publicações, entre as quais o primeiro diário lançado no Brasil, Diário do Rio de Janeiro. Mas esse rigoroso levantamento do que tem sido a imprensa periódica no Brasil é sobretudo preciosos pelo que, a propósito da história dosjornais temos tido, reconstitui, em lembranças a nossa vida social em termos de valores de todo tipo. Em suma, trata-se em verdade de numerosa a variada imprensa reconstituida através do tempo prefácio por Umberto Peregrino em 19 de setembro de 1992. Índice do livro Prefácio Umberto Peregrino Algumas Palavras Cap. I Livros, Jornais, revistas; etapas de um mesmo processo Cap. II Abriram -se os portos... entrou a revista ( 1800 a 1822 ) Cap. III A época da Liberdade (1822 a 1889) Cap. IV A preocupação científica e as revistas médicas Cap. V Henrique Fleius e sua "Semana Illustrada". Cap. VI Ângelo Agostini e a Revista Illustrada". Cap. VII Bordalo Pinheiro e suas revistas Cap. VIII A transição (1889 a 1900) Cap. IX Doença, higiene, diversão e humor negro (1900 a 1910) Cap. X Maxixe, gripe e guerra assustam o Jeca Tatu. (1910 a 1920) Cap.XI Reformas, exposições e "chamuscos" (1920 a 1930) Cap. XII em tempos de D.I.P. vai novamente o Brasil para a guerra (1930 a 1945) Álbum Fotográfico Bibliografia Relação de todas as revistas conhecidas e lançadas no Brasil neste período. Algumas Palavras A idéia deste livro não surgiu da noite para o dia. A oportunidade de trabalhar em feiras de antiguidades, com stand específico de revistas, jornais, documentos e propagandas antigas além de uma infinidade de coisas ligadas ao papel antigo, facilitou poder registrar sempre o mesmo tipo de reação comum, à todas as faixas etárias e classes sociais. Basicamente ao circular entre cristais e pratas, as pessoas olhavam para o papel e seguiam em frente. Mas algo chamava atenção e elas voltavam, me sendo possível então registrar os mais diferentes depoimentos: _ "Olha! Olha! o Rio como era em 1900... _ "Tá vendo aí o grande campeão desde o início do século? meu time"... _ "Meu Deus! Esta revista acompanhou minha infância e minha adolescência"... Observando tudo, percebemos que havia uma lacuna na história da imprensa, pois existem livros sobre fatos relativos a livros e jornais, mas não sobre as revistas. Este livro quase pediu para existir. Seu intuito é contar como o público vê a revista antiga e o que pode extrair dela. Os períodicos deveriam se tornar acervo cultural e real do homem. Queremos chamar a atenção do descaso com que são tratadas como fonte de informação, as revistas ilustradas brasileiras. Salvo raros casos em que por obra da genealidade de seus autores, ou do grupo que as originou, poucos estudos existem sobre elas. "Klaxon", "Estética", "Revista Illustrada", "Careta" foram , ao que podemos perceber, contempladas com um estudo detalhado. Não foi nossa pretensão esgotar o assunto ou mesmo transformar em obra didática este livro. Ele surgiu do amor e interesse ao passado das revistas, assim como a certeza de serem elas documentos reais de uma época, sem a visão ou interpretação de historiadores. Fica aqui nosso pedido particular às empresas seculares que fazem parte desta história, que deêm mais atenção ao assunto. Renata Cap. I LIVROS, JORNAIS REVISTAS; ETAPAS DE UM MESMO PROCESSO Antes do homem pensar em usar diferentes materiais para escrever, as grandes bibliotecas da Antiguidade, estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de argila cozida. Eram os primeiros livros que progressivamente se modificaram, sendo escritos sobre papiros e pergaminhos até chegarem a ser feitos - em grandes tiragens - em papel impresso mecanicamente. A tipografia foi aperfeiçoada em 1438, em Strasburgo por Gutemberg e marca de forma definitiva o início da disseminação da informação.Em 1790, na Espanha surge uma publicação em que se comenta os mais variados assuntos: trata-se do "Espirito de los mejores diarios literarios que publicam na Europa", a primeira revista. A palavra inglesa "magazine" derivada da francesa "magazin", da mesma origem árabe de "armchzen", que designa conteúdo diversificado, corresponde aos que se conhece como "revista em portugues". Até o início do século XIX ainda usou-se a prensa de parafuso, semelhante a de Gutemberg, mas gradativamente evoluiu e o fator que contribuiu para tal evolução foi o barateamento e ampla difusão do papel. E também nesta época foi criada a máquina cilíndrica. Cap. II ABRIRAM-SE OS PORTOS... ENTROU A REVISTA (1800 A 1822) A história da Imprensa no Brasil, se funde com a história da nossa sociedade. Não podemos desvincular um fato do outro... Talvez, se não tivéssemos começado sob acensura da Corte e se depois não caíssemos no domínio dasditaduras nosso rumo teria sido outro, e em especial daquilo que reproduz o cotidiano, que mais tarde se iria chamar: Revista. Nesta pesquisa tentamos nos aproximar de uma data que justifique nosso objetivo a primeira reprodução escrita de tatos do cotidiano. Como um elo entre a realidade e a utopia da sociedade, a imprensa no século XIX foi um dos fatores determinantes para o rumo de nossa vida política, social e econômica. Havia um moto contínuo... uma resposta da sociedade ao chamado da imprensa, que por sua vez estava sempre a postos apra atender ao clamor da sociedade. Inicia-se a perseguição da Censura Governamental, Religiosa ou ideológica. E foi definitivamente sob o congraçamento desses três tipos de Censura que a imprensa surge no Brasil. A elaboração ou fundação das revistas e jornais nos seus primórdios, era feita por pessoas que nada tinham em comum, perteciamàs mais variadas classes sociais, cultural, ideais, interesses, aspirações e objetivos. A intensa valorização do trabalho braçal, em detrimento da melhoria intelectual, na época da colônia, causou um grande retardamento no avanço cultural do Brasil, e quando finalmente a imprensa chega no Brasil é vista como algo perigoso e pecaminoso. CAP. III A ÉPOCA DA LIBERDADE (1822 A 1889) O Brasil ia se arrastando com cidadelas separadas pelo mar e alguns pequenos centros importantes como: Maranhão, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro onde a produção era limitada e a indústria se constituía em pequenos empreendimentos artesanais. Quem quizesse saber noticias da Côrte, deveria aguardar a chegada dos navios, para poder comprar jornais da Europa ou então clandestinamente o "Correio Braziliense" editado em Londres por Hipólito da Costa. A imprensa, até 1821, viverá sob censura, e será representada por um único veículo, a Gazeta do Rio de Janeiro, que surgiu em 1808. Quanto a ilustração o Brasil começa por Debret em 1816 mas sua obra só torna conhecida em 1839. Com a aproximação da Independência , a crescente ebulição política favorece o aparecimento de jornais e pasquins. O clima fervente da política é efervecente e este momento e os bate papos ou fofocas favorecem o aparecimento de novas tipografias independentes da ImpressãoRégia e novas publicações que espelham bem a elevação da política mais ainda, surge assim "Malagueta", o "Papagaio Volantin", o "Macaco Brasileiro", o "Cabloco", o "Tamoio e "Aurora Fluminense entre outros efemeros títulos. Dando um salto na história vamos para 1840, onde D. Pedro de Alcântara, aceita a declaração de maioridade e começa a governar o Brasil, com o título de D. Pedro II. Este é um período de contrastes marcantes de um imperador menino e um país que mergulha em sucessivas crises. 1850 o Brasil é agora o único país do hemisfério com regime monarquista, escravos e uma economia muito dependente.
Um pouco adiante e a vida do brasileiro em 1862 é regida pela economia do café: "o dinheiro verde". Havia como ha ate hoje uma classe diferente e distante que era o império escravocrata e a burguesia que viviam uma realidade quase que tirada de verdadeiros contos de fadas perante a misséria reinante em toda a maioria do território brasileiro. Aos homens tudo... O homem era a peça principal desse sistema e os frutos jornalisticos eram colhidos pelo privilegiado que sabia ler. Eram os jornais e revistas lidos em voz alta para mulheres, crianças e agregados, que nivelavam-se pelo fato de serem analfabetos e inexpressivos nesta confusa forma social. Talvez pelo fato de D. Pedro II ser governante estudioso e interessado em cultura afroxou-se a Censura e os últimos quarenta anos do Império, foram fartos de produção, imprenssão de revistas que cobriam a mais variada gama de especialidades. Como por exemplo a Revista do Instiuto Histórico e Geográfico Brasileiro que surgiu em 1839 Esta mesma liberdade de imprensa fez com que as revistas de caricaturas se destacassem não só pela qualidade excepcional, como também pelas observações críticas das situações abordadas. Três delas se destacm e logo falaremos sobre seus autores, assuntos e fatos pitorescos do Brasil através das revistas.
Nos próximos capítulos entraremos na parte dinâmica do livro e enquanto isto fica aqui uma receita da mulher que surgiu após termos lido 1250 revistas tidas como femininas concluimos que a mulher no ano de 1914 se podia fazer com esta receita, quando surge o "Jornal das Moças quando a influência francesa é apenas suspiro dos saudosistas pela Belle Époque, que cedeu lugar à influência dos costumes americanos. A mulher brasileira ainda era massacrada pelo conceito de "ficar para titia" e era feita burra pelo home sem falar que em determinado período do mês ela ficava doente pois estava "encomodada". Sendo assim aqui oferecemos a receita da mulher de 1914: RAINHA DO LAR Pegar um punhado de figurinnos; de preferência franceses e americanos; Adicionar uma pitada de poesia, misturar com um pouco de devoção. Amassar todos os livros de literatura, junto com o horóscopo, que se faltar, poderá ser substituido pela cartomante. 6 colheres de sensualidade 10 colheres de amor... Adicione um pouco de ingenuidade para não ficar muito picante. Em caso de dúvidas, consulte a mamãe. Retirar toda a política e acrescentar um como de contos românticos. Não ousar de muita expressão e manter todos os ingredientes em banho -maria, sobre fogo brando por muito tempo. Não acrescentar personalidade ou vontade própria, pois estas virão do marido. Juntar todos estes ingredientes temperados com gotas de Regulador Xavier; colocar dentro de um consultório sentimental para as pobres e talvez no consultório de Freud para as ricas e aguardar que um principe encantado venha livra-las do peso de ficar para "Titia". Esta receita escrita por Renata Lima para o Livro A "Magia da Revista", foi premiado pela academia de letras de Minas Gerais e editada no Mural de entrada do Centro Cultural da Memória da Mulher em Diamantina.
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