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O terceiro Milênio, a Internet, o avanço tecnológico e a globalização do mundo do homem trouxeram para o colecionismo um momento especial, com reflexos diretos na Arte de Colecionar. Anos de
pesquisa de campo podem constatar que cada vez mais o homem coleciona, faz do
colecionismo uma profissão além do
lazer e principalmente interage no seu dia a dia com os objetos que o cercam e
que até então faziam parte do imaginário, ou algo intangível, a este avanço de
forma humanística pode chamar de “interação humana”. O mais
importante de toda esta jornada que hoje sabemos ser existencial é que graças
aos deuses o homem agora reflete sobre esta Arte como uma ciência do século XXI.
Nesta viagem filosófica podemos começar a entender a intrínseca existência do
homem colecionador e os objetos que o cercam ou povoam agora o imaginário
tangível e preservado de civilizações, como forma de transmitir cultura e
tradições. Há quem
diga que no colecionismo existe um toque do profano a ética ou a seriedade
científica de regras definidas e modelos estipulado e convencionado permitindo
apenas ao infantil o gesto de agrupar objetos em serie aos adultos ficou o
legado da palavra “mania” e aos ricos e poderosos o direito a
excentricidade. Tudo
isto é passado hoje sabemos que colecionar é manter a história viva, é
transmitir cultura, dividir afeto, é motivo de prosa, de lazer, de aproximação,
de investimento, de terapia e muito mais. Respeitando o saber de grandes mestres
que ignoram esta ciência, e pedindo permissão acadêmica aos doutores
contemporâneos aos modelos de ciências atuais, me permito a viajar por um mundo
de analogias filosóficas baseadas em 30 anos de convívio direto com o
colecionismo em todos os seus aspectos e diariamente em pesquisa de campo, ou
empírica. Como
parâmetro discursivo sobre a “Arte de Colecionar”, alias um termo que sem
modéstia uso nestes 30 anos, para definir este fenômeno que hoje convive em uma
perfeita harmonia com inúmeras ciências e com a moderna visão global do século
XXI, dando uma prova concreta das suas interfaces e da necessidade de estancar o fogo das vaidades e irmos
todos para uma união acadêmica para esta tendência cultural que si quer tem sua
epistemologia. E ainda vê em textos como estes delírios de pouca
erudição. Voltaire em seu Dicionário Filosófico no capitulo I, fala de uma história profana. “Não falo aqui senão da história profana pois quanto à dos judeus, nossos mestres e nossos inimigos em quem cremos e que detestamos”, e assim ele vai tendo uma visão pessoal e discursando ainda sobre o perigo de visões preconceituosas ou egocentristas como as que levam as interpretações bélicas e mortais em busca de poder e soberania. Muitas são as perplexidades perante o ato de colecionar, o que sabemos é que este fenômeno sem uma postura acadêmica ou uma epistemologia formada, sem uma literatura ou reconhecimento cientifico se impõe como a tendência do “fast food” , ninguém gosta mas todos já experimentaram. Hoje já podemos arriscar a sugerir uma explicação talvez porque colecionar faz parte do dia a dia do homem de forma atemporal, e nascido com a consciência humana.
Há
também quem precise ver a alma para acreditar na sua existência, este fenômeno
permitiria o conhecimento de ti mesmo. Alma chamamos ao que anima é tudo o que
sabemos, assim como nada sabemos sobre este mistério que faz um sr. De 75 anos,
realizado profissionalmente e abastado financeiramente sentar-se ao lado de um
garoto de 10 anos para trocar figurinhas raras de um álbum? O lado adulto e
poderoso deste colecionador incurável – ele existe e eu o conheço, faz com que ele também freqüente com a
mesma postura e ansiedade os mais requintados leilões em busca de um raro
cristal ou de uma jóia, para as suas coleções variantes, onde apenas uma peça
pode custar até centenas ou milhares de dólares. Este sr. Existe tem um nome,
mas também ele representa uma massa humana anônima que só não é um verdadeiro “clone de seus atos”
porque diferem na conta bancária. Estes
senhores e estes jovens completam um ciclo emocional da palavra colecionar, onde
a amizade que definida filosoficamente como: contato tácito entre duas pessoas
sensíveis e virtuosas, no colecionador a virtude deste contato esta presente no
respeito por aquele que possui a peça desejada, portanto um virtuoso que
coleciona os objetos que povoam o nosso imaginário. O
colecionador ainda é visto e julgado por aquilo que coleciona, um colecionador
de obras raras é mais respeitado que um colecionador de tampinhas de garrafa,
por exemplo, esta é uma visão materialista de quem não coleciona ou não sabe o
valor dos objetos para um colecionador, que esta diretamente ligado por exemplo a fatores culturais, como
por exemplo a tampa do vidro do xarope que originou a Coca Cola em 1886 foi
leiloada por 70 mil dólares e faz parte hoje da coleção de um feliz
colecionador. O importante a ser visto é o legado cultural do colecionismo que
hoje parece uma “Torre de Babel”, ainda como fruto das vaidades que erguem
monumentos eretos, e esquecem do declínio da horizontalidade do saber que pode
ser adquirido através de uma visão acadêmica da Arte de
Colecionar. Bem supremo é um caminho perigoso de se analisar ao tratarmos do colecionismo porque, “cada um põe a felicidade onde pode e quanto pode”: Quid dem?Quid non dem? Renuis tu quod jubet alter... Castor gaudet equis: ovo prognatus codem pugnis... Sumo bem é o bem que vos deleita a ponto de polarizar-vos toda a sensibilidade, assim como o mal supremo é aquele que vos torna completamente insensível. Estes
são os dois pólos que os colecionadores conhecem bem e deles se deleitam, onde
ainda segundo Voltaire “Não existem deleites extremos nem extremos tormentos
capazes de durar a vida inteira”. Todo colecionador sabe a doçura de adquirir
uma nova peça e angustia de procurar a próxima, e quem pode simplesmente julgar
o colecionador com palavras como: volúpia, fortuna, mania, obsessão, poder,
compulssividade, virtude, bem supremo ou outros adjetivos? Quando existe um
desperdício científico na falta de uma visão acadêmica desta tendência cultural
que custa atos Quixotescos a quem quer dar a epistemologia ao fenômeno da
humanidade. Texto
Renata
Lima |
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