|
Na realidade o crescimento do colecionismo e uma visão acadêmica sobre o
tema no Brasil são fruto de uma tendência natural de expansão desta nova ciencia
já existente em outros países há mais de um século que agora é reconhecida por
quase todos os segmentos, principalmente pela Educação e o
Marketing. O segredo do colecionismo, é a sistematização em adquirir, catalogar e preservar objetos, idéias ou fatos de forma seriada, lógica e catalogada. Por ser o ato de colecionar um fator basicamente emocional o seu profissionalismo requer uma sistematização, é neste momento que entra a lógica que deve ser aplicada com sob a tutela dos conceitos científicos e acadêmicos sem que o prazer do hobby seja perdido. Vamos nos reportar ao período helênico no momento em que a cultura Grega reinava em plena expansão trazendo de forma irrefutável um embasamento para o colecionismo. O colecionismo é um fator de agregação social por originar de um desejo quase irracional de possuir determinado objeto. Como uma cultura superior a clero, raça ou condição social cria um vinculo de amizade entre os colecionadores de um mesmo tema, e ao mesmo tempo este convívio social é movido por uma competitividade em possuir mais e em melhor quantidade, esta sociabilidade e competitividade da origem a formação de Clubes, Sociedades voltadas para o ato de colecionar. Este movimento que gira em torno da Arte de colecionar traz um sentido de vida onde o prazer é capaz de libertar o homem dos grandes temores que ele tem a respeito da vida, da morte de Deus e até mesmo da sua enigmática existência. A sensação que provem do ato de colecionar é prazerosa e gera uma certeza da tranqüilidade e resgate de valores perdidos, que vão além do entendimento da psicologia moderna. É este movimento que se traduz em uma arte de vida é um componente do prazer estético histórico e intelectual, e esta trilogia é a formula perfeita para a satisfação máxima que pode ser alcançada através do ato de colecionar. Concretiza-se na ciência do colecionismo o interesse teórico e empírico por uma ou mais de uma época, e conseqüentemente a uma pesquisa sistemática feita pelo colecionador à descoberta de novos fatos. Neste momento o ato de colecionar tende a ser u complexo de observações e estudos que são valorizados a cada peça adquirida para a continuidade necessária a formação de coleções profissionais. O colecionismo é hoje visto como, uma ciência universal que supera entre outros fatores de segregação a nacionalidade porque trata de desenvolver de forma lógica um acumulo sistemático de objetos idéias ou fatos. Com a visão e aplicação do colecionismo como ciência organizaram –se também escolas e com elas o enfoque acadêmico. Esta visão acadêmica vai se diversificando em diferentes escolas movidas pela cultura regional ou a nível mais amplo pelas tradições passadas por toda uma civilização. As diferentes escolas vêem no ato de colecionar um fator emocional onde o conhecimento sensível entra em contato direto com o objeto colecionada. O centro de estudo do colecionismo concentra-se na Universidade de Oxford na Inglaterra que foi um dos primeiros países a enxergar em uma concepção revolucionária o potencial cultural e financeiro do colecionismo, com efetivas experiências positivas e práticas de toda uma Epistemologia da ciência do colecionismo e de suas interfaces com os demais seguimentos profissionais, sociais e científicos. É necessário agora fazermos uma retrospectiva na história para um entendimento melhor certas tradições e resultados culturais do habito de colecionar. O Humanismo e a Renascença foram movimentos latinos assim como o protestantismo foi germânico, estes fenômenos tanto religiosos, culturais ou sociais que ocorreram na realidade para enaltecer o espírito humano dando um claro positivismo ao homem. Chegamos agora ao berço do colecionismo, clássico, a Itália que também é o centro originário do humanismo. Partindo deste foco na Itália pode se encontrar a Arte de colecionar em toda a Europa em um verdadeiro movimento clássico. O colecionador busca em sua coleção um retorno a concepção primária das suas origens dos seus desejos e até mesmo dos anseios de sua primeira infância. Podemos encontrar valores culturais diretamente ligados ao Estereótipos das coleções, que por sua vez tem origem nas reformas ou nos movimentos Religiosos, sociais ou Econômicos. Entrando no âmbito específico do colecionismo podemos começar a entender a origem da forma expressa do ato de colecionar, onde uma determinada coleção é privilegiada em um país e desprezada no outro. Esta questão não é tão simples assim por ser o colecionismo ao mesmo tempo uma expressão de desejos individuais atinge a coletividade através de fatores culturais. Voltando a Itália berço das coleções clássicas foi o famoso espírito de liberdade Latina da Renascença que trouxe este hobby para a Europa. Podemos encontrar em Giordano Bruno por volta do ano de 1548 a 1600 um profundo conhecimento do Colecionismo. Ainda nos reportando ao período da Renascença temos o momento em que o homem tem um pensamento muito Empírico onde tudo deve ser testado e comprovado. O ato de colecionar não pode ser visto como um modismo mas de uma certa forma acompanha a tendência cultural, como por exemplo nesta época em que o homem nada compreendia e tudo queria conhecer em uma sabedoria que surgia através da experiências e neste momento o tema que despertava maior interesse dos colecionadores da época era a Ciência Natural e a forma de colecionar era mais intuitiva do que técnica. Descarte dizia que o ajuntamento de coisas hoje conhecido com o nome profissional de colecionismo levava o homem a um encontro com sua alma. Para ele a essência da alma cartesiana estava no pensamento e colecionar é um conjunto de fatores que levam a introspecção e ao mesmo tempo ao popularismo, uma vez que, é uma atividade basicamente psíquica e espiritual, o principal fator que é determinante ao objeto colecionado esta diretamente ligado ao poder econômico do colecionador, é muito importante entendermos esta questão básica para uma compreensão dos caminhos que seguem a mente humana quando o desejo por certo assunto é despertado é realmente o que se coleciona, um exemplo clássico é o desejo de um colecionador que quer colecionar carros antigos mas como não dispões de poder econômico suficiente não ira colecionar. Quando o desejo é muito forte por um determinado assunto há o que chamamos de continuidade de satisfação do colecionismo onde neste exemplo o colecionador irá optar por carros antigos em miniatura e trata-los como se fossem os originais. A escolha de um tema a ser colecionado é uma decisão influenciada por fatores psicológicos, como importantes motivações, percepção do meio que cerca o colecionador, aprendizado e principalmente vivencias da primeira e segunda infância. A motivação neste caso é à busca de uma satisfação pessoal através de itens adquiridos por um impulso de desejo. Normalmente temos muitas necessidades em todos os momentos mas no caso do colecionador é como se estas necessidades se resumisse em uma peça a mais para sua coleção, ainda temos também as necessidades que se originam na auto estima ou na necessidade de um reconhecimento da pessoa através de seus objetos. Freud se deteve nesta teoria da motivação que leva o colecionador a possuir cada vez mais, para ele o colecionador não tem consciência da maioria das forças psicológicas que moldam seu comportamento, segundo ele quando as pessoas crescem reprimem muito de seus desejos e o ato de colecionar seria uma válvula de escape. |